Saturday, October 24, 2009

ALL THAT JAZZ EM PRAÇA PUBLICA.




A banda "All That Jazz" fez a sua primeira apresentação pública as 19h00 da noite do dia 21 de Outubro no Largo de São Sebastião, como participante do projeto "Tacacá com Bossa" idealizado e promovido por Joaquim Rodrigues de Melo.
Escolhi o e-mail, cujo teor segue abaixo, enviado pela espectadora do evento Ana Paulina ao Joaquim, que julgo retratar fielmente, o nosso grande momento de pura magia jazzistica.
Humberto Amorim.
Sobre o Show no Tacacá na Bossa, de quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Olá Joaquim! bom dia!
Nem sei por onde começar. Talvez pelos aplausos que Humberto pediu para ti. E são os meus também. Que muitas vezes pensei cá comigo o quanto os mereces. Por seres responsável por esse ponto de encontro. Que é um encontro com a música, com os frequentadores, com os amigos, com você. Um encontro com nós mesmos, com o nosso "self", já que se tratou de jazz. Ainda bem que eu fui, ainda bem. Pois ameaçou dar um temporal aqui, com vento e relâmpagos. Mas fui, peguei engarrafamento e desviei por outro caminho. E, aí perto, encontrei a polícia do exército tomando conta dos lugares de estacionamentos. Ainda bem que fui.
Como cheguei atrasada, parei para ouvir. E esse é um tipo de música que penetra na alma e no corpo. Não dá pra ficar conversando. E me surpreendi com esse cara. Do repertório sei que entende bem, pelo que acompanho no seu programa de rádio, que segura pela didática com que apresenta e faz o ouvinte gostar da música. Mas pela segurança com que canta, com que se comunica, e principalmente por colocar o seu coração, e por saber expressar isso na voz, no corpo e quando fala. São tão raros os que expressam o que sentem, como ele fez ali, se dizendo feliz pela sua estréia numa platéia em lugar público, e logo naquele lugar. Mesmo uma platéia flutuante, embora atenta.Já te disse isso e repito.
Tua importância é enorme, embora seja num cantinho pequenino, para um público de artistas, de ouvintes cativos, de turistas, de passantes, os que "têm tempo". Poucos, mas que amam a música e te admiram. (Há os que pensam que é um programa da Secretaria da Cultura, por causa do cartaz e do lugar... já ouvi isso).
Para essa cidade que tem tão poucas oportunidades de se ouvir boa música... nos raros bons programas de rádio: da Fezinha (que tem bom gosto), da Carminha, do Joaquim Marinho (que fala muito mas gosta da boa música), dos programas da madrugada da Difusora, na Tiradentes cujo repertório é muito repetitivo, cansa, mas não é tão mal (lembra o da rádio Nostalgie, francesa), esses programas de música de bar, e o do próprio Humberto Amorim.
Pelo pedido de aplausos, o respeitei mais ainda, a ele e seu grupo, pois os artistas são geralmente autocentrados. E ele não o fez burocraticamente, formalmente. Fez com o coração. O coração que ele canta tanto nas melodias e nas letras do jazz. Como disse com a música, que cantando jazz está no paraíso.
Nós merecemos pessoas como vocês. Parabéns por nos darem esses presentes.
Muito obrigada.
Ana

1 comment:

Antonio said...

Certas coisas não se podem explicar pela sequência aparentemente sem lógica como se desenrolam. Uma situação de urgência no trabalho levou-me de repente numa viagem meio louca de S. Paulo a Miami, logo seguindo para Chicago, de volta a Miami e de Miami para Manaus (isto de Domingo a Quarta Feira com muito poucas horas de sono).
Na noite de Quarta feira dei comigo em Manaus, com o quente-húmido que se espera sempre...dei comigo na Praça do Teatro - esse terreiro central da cidade que não tem muitos outros pontos de encontro (o contraponto humano do encontro das águas...rio acima ou rio abaixo?...entre o rio Negro e o Solimôes)
Suando e mais devagar do que me é costumeiro, guiado por amigos, encontro-me agora sentado num banco de jardim comendo um Tacacá ... e escutando nada mais nada menos, na noite do Amazonas, nessa praça quente, o som morno do Jazz!!!
Como explicar esse outro encontro do saboroso Tacacá, da humidade lenta de Manaus e por Deus... Jazz!
Bom do ponto de vista culinário o Tacacá tem assim uma equivalência em Jazz (apesar de sopa) de uma melodia do Coltrane numa noite quente (não nada a ver com Newport). Ou então a uma mistura exótica de sons via Miles.
Esqueçam tudo e reinventem uma sopa que tem folhas de Jambu (pois é... planta local que deixa a boca e os lábios meio dormentes), camarão seco do Pará, tupuqui cozido (massa de mandioca = Goma) isto tudo servido numa meia Cuia (assim como uma meia cabaça muito fina) tingida de preto com um corante vegetal (Cumati), tudo isto em combinação perfeita com uma cervejas bem frescas....
E depois tinha a música. Um encontro de 5 músicos locais – All That Jazz - num swing vocal pelo Humberto Amorim que fez de Manaus a capital do Jazz no Brasil... e eu sem saber.
Alguém ao meu lado comentava no celular que estava ali na praça ouvindo o filho do Frank Sinatra!
Tudo isto um encotro de música todas as Quarta Feiras, na praça, gratuito, organizado pelo dono do quiosque ali ao lado que serve o Tacacá e é afinal antropologista.
A memória gustativa ficará para sempre ligada ao som daqueles músicos e à voz do Humbeto Amorim. Obrigado Humberto, pelo encontro, pela memória e por ser o embaixador do Jazz na Amazónia... night and day...