Sunday, November 22, 2009

GUNTHER SCHULLER, THE THIRD STREAM


O compositor e tocador de trompa Gunther Schuller, nasceu em Nova Iorque no 22 de novembro de 1925. É considerado como uma das principais figuras da música clássica contemporânea.


Gunther Schuller estudou na Saint Thomas Choir School, onde tirou o curso de trompa. Aos dezesete anos, tinha o lugar principal de tocador de trompa na orquestra de Cincinnati Symphony em Ohio; dois anos mais tarde, assumia a mesma posição na Metropolitan Opera Orchestra.


Em 1959, decide dedicar-se exclusivamente à composição. Estudou, e tocou, jazz com Dizzy Gillespie, Miles Davis, e John Lewis. Foi o criador do termo Terceira Corrente (Third stream), que misturava a música clássica com o jazz. Schuller escreveu cerca de 160 composições originais.


Em 1960, Schuller presidiu ao England Conservatory, criando um programa de jazz que, atualmente, é um dos principais centros de jazz do mundo.


Schuller é o editor-chefe de Jazz Masterworks Editions, e co-director da orquestra Smithsonian Jazz Masterworks Orchestra, em Washington D.C. Outro trabalho em que esteve envolvido, foi a preservação das últimas obras obra de Charles Mingus, no Lincoln Center, em 1989, lançados pela editora Columbia/Sony Records.


Recebeu os seguintes prémios:


Pullitzer Prize, em 1994, pelo seu trabalho para a Louisville Symphony Of Reminiscences and Reflections
MacArthur Foundation "genius", em 1991
William Schuman, em 1900, entregue pela Universidade de Columbia, pelos seus trabalhos na composição musical americana
Ditson Conductor, em 1970
Em 1993, a revista Down Beat, entregou-lhe o prémio de Lifetime Achievement, pelas suas contribuições para o jazz.
Grammys:
Melhor Álbum Clássico: Footlifters (compositor), em 1976
Melhor Interpretação em Música de Câmara: Gunther Schuller (compositor) & The New England Conservatory Ragtime Ensemble for Joplin: The Red Back Book , em 1974


Nota do Blogger - Para desfrutar e entender melhor do que trata o "Third Stream" ouça os discos do músico françês Jacques Loussier.


Ouça e veja o video promocional da Charles Mingus Epitath Orchestra com Winton Marsalis, o condutor da Epitath Gunther Schuller e Randy Brecker.

http://www.youtube.com/watch?v=S86WzxIbolw



Reference - Wikipédia

MANAUS,DOMINGO,MEIO DIA,JAZZ,EDEN ATWOOD,MATT DUSK


Meus Caros Jazzófilos(as),

Daqui a pouco em Manaus, a partir do meio dia, pelas ondas sonoras e jazzificadas da Radio Amazonas FM 101.5 FM o destaque vai recair sobre quatro figuras distintas deste genero musical que não para de nos encantar a cada audição.


O cantor canadense Matt Dusk fez aniversario na semana que passou. Particamente,ainda em inicio de carreira , se levarmos em conta que seu primeiro CD foi publicado no ano, desde então Mattque concede provas indiscutivel de elevado talento, principalmente no quesito versatilidade. Teremos a audição do CD TWO SHOTS que serviu de trilha para "The Casino", serie televisiva da Televisão Fox. Jazz contemporaneo da mais alta qualidade.

A cantora Eden Atwood é nova no cenário do jazz em New York e adjacencias. Ousada, publicou o CD "The Bossa Nova Sessions" onde se aventura com sotaque seguro e indiscutivelmente influenciado pelos ritmos brasileiros, em perfeito equilibrio com um leve toque de jazz. Uma experiencia musical vitoriosa.

O cantor,compositor e pianista Dr. John é a mais perfeita personificação artistica da musica atual de Nova Orleans. Excentrico e versátil, navega pelo blues,cajun music, jazz e rhythm and blues com a naturalidade forjada desde a idade de 17 anos quando largou tudo para seguir estrada em direção aos palcos da vida. Inquestionavelmente, um talento sem igual na história da Crescent City. Vamos degustar o CD Trippin' Live" o primeiro album ao vivo que gravou.

O compositor, pianista, trombonista e genio Johnny Mercer, cujo centenário de nascimento foi celebrado pelo mundo do jazz neste ultimo dia 18, compos mais de 1.500 canções durante a sua vida. É sem sombra de dúvidas um dos mais impostrtantes compositores do século XX e do Great American Songbook. Vamos degustar o CD "The songs of Johnny Mercer" que o cantor Lee Leesack publicou, prestando justa e grandiosa homenagem a este vulto da canção internacional, Johnny Mercer.

Conto com tua preciosa audiência.

O Melhor ainda está por vir.

Humberto Amorim

Locutor/Produtor

Saturday, November 21, 2009

COLEMAN HAWKINS, O MONSTRO SAGRADO DO SAXOFONE

O jazz master e saxofonista Coleman Hawkins (na foto com Ms. Lady Day), nasceu no 21 de novembro de 1904, em St. Joseph , Missouri, e começou sua viagem pelo jazz na adolescencia, saindo do sul de Kansas City para tocar em Chicago, em visitas de fim de semana.


Até que Lester Young entrasse em cena, havia apenas um grande nome no sax-tenor: Coleman Hawkins. O homem apelidado de "Bean" tinha um som grande, áspero, forte que era muito diferente do som mais cool de Young.


Em 1939, Hawkins fez para a melodia "Body and Soul" uma versão que se tornou um clássico do jazz. Muitos sustentam que aquele Hawkins serviu de inspiração pela revolução de bop, fornecendo material para os improvisos dos combos da 52nd Street no início dos anos 40s.


Ele se tornou integrante da “Mamie Smiths Jazz Hounds” em 1921, se uniu a Fletcher Henderson em 1924, passando uma década nessa banda que também teve Louis Armstrong. Firmou sua fama de solista de primeira linha em 1925 com a melodia "Stampede".


Apreciava vestir roupas caras e dirigir carros rápidos e em 1934 Hawkins partiu para uma estadia de cinco anos na Europa. Retornou aos Estados Unidos em 1939, e com "Body and Soul" Hawkins restabeleceu a sua supremacia no sax-tenor do jazz. Sua ligação com a era de bop foi em 1943 quando o seu sexteto incluiu o trompetista Benny Harris e o pianista Thelonious Monk.



Durante os anos seguintes, ele também empregou outras futuras estrelas do bop, como os trompetistas Dizzy Gillespie, Miles Davis e Fats Navarro e o baterista Max Roach.


Embora não sendo mais o top de linha nos cinqüenta, Hawkins continuou se testando, e em meados de 1963 gravou com o grupo vanguardista de Sonny Rollins para RCA. Ele também trabalhou com Duke Ellington e no Jazz At The Philharmonic nos anos 60.


O monstro sagrado do saxofone Coleman Hawkins, faleceu em 19 de maio de 1969 na cidade de New York.


Coleman Hawkins sola "Body and Soul"
Fonte -CDJ

DR. JOHN, THE NIGHT TRIPPER

O pianista, cantor e ator Dr. John, nasceu no 21 de Novembro de 1940 em Nova Orleans, Louisiana, e foi batizado com o nome de Malcholm Rebbenack. Aos 13 anos tornou-se músico com todo apoio dos familiares, que de certa forma, tinham na veia, muito talento musical.

"Mac" abandonou os estudos no penúltimo ano do ensino médio, quando tinha 16 anos, para se tornar pianista de blues. Adotou o apelido de Dr.John the Night Tripper"(ou Dr. John, simplesmente) destacando-se como fiel representante do "Novo Som de Nova Orleans" no estilo blues/jazz.


Originalmente tocava guitarra, mas perdeu um dedo da mão ao defender o amigo Tonnie Barron e foi forçado a migrar para o piano/teclados.


recebeu dois premios Grammy, foi induzido no Louisiana Blues Hall of Fame


Dr. John was born on November 21, 1940, in New Orleans, Louisiana, as Malcolm Rebbenack. At 13 he decided to become a musician, and was supported by his family, who themselves were musicians in a small way. "Mac" dropped out of school in the 11th grade in 1956, at the age of 16, to become a blues piano player. He has become known as "Dr. John, The Night Tripper" (or "Dr. John", for short) and a prime example of the "New Orleans Sound" style of blues/jazz. He has received two Grammy Awards, and is in the Louisiana Blues Hall of Fame and into the Louisiana Music Hall of fame, as well, in 2007.


He was originally a guitar player, but after getting his index finger nearly shot off in an effort to protect band mate and friend Ronnie Barron, he switched to piano/keyboards.

Dr.John canta com Etta James "I'd rather go blind"





Reference - Jazz Music & Blues


Tradução - Humberto Amorim

JUNE CHRISTY, SOMEONE COOL


Vocalist June Christy was born as Shirley Luster on November 20,1925 in Springfield,Illinois and was best known for her work in the cool jazz genre. Her success as a singer began with The Stan Kenton Orchestra. Upon her death, she was hailed as "one of the finest and most neglected singers of her time."


She moved with her family to Decatur,Illinois when she was three years old. She began to sing with the Decatur based Bill Oetzel Orchestra at the young age of 13. While attending Decatur High School she appeared with Oetzel and his society band, the Ben Bradley Band, and Bill Madden's Band. After high school she moved to Chicago, changed her name to Sharon Leslie, and sang with a group led by Boyd Raeburn. Later she joined Benny Strong's band. In 1944, Strong's band moved to New York, while at the same time Christy was quarantines in Chicago with scarlet fever.



In 1945, after hearing that Anita O'Day had left Stan Kenton's Orchestra, she auditioned and got the role as a vocalist. At first, she bore a heavy resemblance to Anita O'Day, both physically and vocally. During the time when she sang in the Orchestra, she changed her name once again, this time to June Christy.


Her unique voice produced successful hits such as "Shoo Fly Pie an Apple Pan Dowdy," the million-selling "Tampico" in 1945, and "How High the Moon". "Tampico" was Kenton's biggest-selling record. When the Kenton Band temporarily disbanded in 1948, she sang in nightclubs for a short time, and reunited with the band two years later in 1950.



From 1952, she started to work on her own records, primarily with the arranger and bandleader Pete Rugolo. In 1954, she released her own 10" LP "Something Cool", recorded with Rugolo and his orchestra, a gathering of notable Los Angeles jazz musicians that included her husband, multi-instrumentalist Bob Cooper and alto saxophonist Bud Shank. "Something Cool" was rereleased as a 12" LP in 1955 with additional selections, and then entirely rerecorded in stereo in 1960 with a somewhat different personnel. Christy would later say that the album was "the only thing I've recorded that I'm not unhappy with. "Something Cool" was also important in launching the vocal cool movement of the 1950s, and it hit the Top 20 Charts, as did her third album "The Misty Miss Christy". She continued to release more records, which influenced future jazz vocalists and set new standards for the music.


In the late 1950s and early 1960s, Christy appeared on a number of television programs, including The Nat King Cole Show,The Steve Allen Show, and the short-lived variety show The Lively Ones. Christy embarked on a number of concert tours, playing such far away locales as Europe,South Africa,Australia and Japan.


R.M. Cook and Brian Morton, writers of The Penguin Guide to Jazz recordings, appreciated the singer's body of work: "Christy's wholesome but particularly sensuous voice is less an improviser's vehicle than an instrument for long, controlled lines and the shading of a fine vibrato. Her greatest moments—the heartbreaking 'Something Cool' itself, 'Midnight Sun,' 'I Should Care'—are as close to creating definitive interpretations as any singer can come."


Christy was married to Bob Cooper. In 1954, she gave birth to a daughter, Shay Cooper. Christy's nephew claims that although she was agnostic, she was very well versed in religion and philosophy, identifying at least partially with Buddhism.



Christy retired from the music business in 1965, rarely taking the stage again after that point. In 1972, she sang at the Newport Jazz festival in New York City, where she was reunited with the Kenton Orchestra. She also performed at a handful of jazz festivals during the 1980s, playing with a band of all-star west coast jazz musicians led by Shorty Rivers. Christy returned to the recording studio in 1977 to record her final LP " Impromptu".


After struggling with illness for many years, she died at her home in Sherman Oaks,California of kidney failure on June 21,1990 at the age of 64. Her remains were cremated and scattered off the coast of Marina Del Rey.

June sings "Something Cool"

http://www.youtube.com/watch?v=MIv1zFVPrTE


Reference - Wapedia

Friday, November 20, 2009

MINHA NOITE NO CDFs: DEU FRANK NA CABEÇA


















Resolvi surpreender aos meus queridos pares do Clube dos Discófilos Fanáticos (CDFs) que de mim (tenho quase certeza!) esperavam uma noitada puramente jazzistica, do tipo daquelas que a gente só deseja, como disse a Marta : "relaxar e gozar". Eu não canço de dizer que não consigo ser previsível. É a minha natureza.
Ledo engano, deles. Apareci na nossa reunião com o busto do Frank no peito e soltei as frangas, os cachorros, os gatos, as pacas e as cotias, embalado pelo som da voz do maior cantor de todos os tempos: Francis Albert Sinatra.
Importante resaltar que, antes da minha vez, o terreno da arena de nossas alucinações musicais, foi solidificado pela manifestação do meu estimado amigo Luis Carlos Havas que apresentou, como participante da Patruléia, um CD interessante que versou sobre as big bands.
O titulo de seu trabalho não poderia ser mais verdadeiro e sugestivo: "As Big Bands São Eternas". Havas abusou da criatividade com bom gosto e, de todos, recebeu merecidos aplausos pela apresentação na qual aproveitou para resgatar, não só a fascinante história da Era das Big Bands como também, brindou no final de sua dissertiva os integrantes especiais de sua seleta platéia, com um CD onde Duke,Goodman ,Bolling e outros mais mantém a centelha do jazz mais brilhante ainda. Valeu Havas!!!!!
Como eu ia escrevendo... minha primeira grande alegria foi rever Summerlee, filho de meu amigo com cheiro de irmão Expedito Theodoro que, devido a presença da cria, ficou mais cheio de nove horas. São do Summerlee, a maioria das fotos que vêem no blog. Obrigado Summerlee. Volte sempre!!!!

Acram voltou atras e desistiu de estragar minha apresentação, como ato de vingança pela minha bagunça durante a sua. Acabou dizendo que eu sou o tal, maravihoso e que se emocionou com a minha paixão pela musica do Chirman-of-the Board. Choses!

Arnaldo, O Caseiro, concordou com tudo que eu disse e prometeu tocar no cd player do seu carro (será,será!!!) o CD duplo "The Best is Yet to Come" que produzi e ofertei à todos.

Benedito Lyra, Bené meu amigo querido, disse que eu e o Frank somos o máximo. Ficou extasiado com as musicas, algumas inéditas, que apresentei.
o meu ex-diretor de eventos Edson Costa, tornou-se mais suspeito em relação a mim e teceu elogios ao trabalho. Como não poderia deixar de ser, fez varias e aparentemente perigosas intervenções com posicionamentos bem pertinentes ao tema.

Noite inesquecível pela qual agradeço a cada um que "me emprestou o ouvido e a atenção" com meu carinho, minha amizade e fraternidade.
Já escolhi o tema para o ano que vem. Se Deus permitir, vou repetir a do
Obrigado meus queridos amigos. Não esqueçam: O melhor ainda está por vir!
HumbertoAmorim
Sinatrófilo

Thursday, November 19, 2009

TOMMY DORSEY,THE SENTIMENTAL GENTLEMAN OF SWING.


O bandleader,compositor, trompetista e trombonista Tommy Dorsey nasceu no 19 de novembro de 1905 em Shenandoah na Pensylvania, e teve como relevancia além das grandes formações que conduziu e a ascenção de Frank Sinatra para fama, enquanto atuava em sua banda como "crooner". Frank declarou que foi com ele que aprendeu a respirar enquanto cantava. Tommy foi um dos grandes musica da Era do Swing.



Thomas Francis Dorsey was born on November 19, 1905 was an American jazz trombonist, trumpeter, composer, and bandleader of the Big Band era. He was known as "The Sentimental Gentleman of Swing". He was the younger brother of bandleader Jimmy Dorsey." Dorsey disliked improvisation and had a reputation for being a perfectionist. He was volatile and also known to hire and fire (and sometimes rehire) musicians based on his mood.



By 1939, Dorsey was conscious of criticism that his band lacked a jazz feeling and Dorsey hired arranger Sy Oliver, from the Jimmy Lunceford band to arrange for his band. Sy Oliver's arrangements for Tommy Dorsey include "Well Git It" and "On The Sunny Side of the Street".



In 1940, Dorsey hired singer Frank Sinatra from bandleader Harry James. Frank Sinatra made eighty recordings from 1940 to 1942 with the Dorsey band. Two of those eighty songs are "In The Blue of Evening" and "This Love of Mine". Frank Sinatra achieved his first great success as a vocalist in the Dorsey band and claimed he learned breath control from watching Dorsey play trombone.


In turn Dorsey said his trombone style was heavily influenced by that of Jack Teagarden. Among Dorsey's staff of arrangers was Axel Stordahl who arranged for Frank Sinatra in his RCA, Columbia and Capitol years. Another member of the Dorsey band was trombonist Nelson Riddle, who later had a partnership as one of Sinatra's arrangers and conductors in the 1950s and afterwards. [24] Another noted Dorsey arranger, who in the nineteen-fifties, married and was professionally associated with Dorsey veteran Jo Stafford, was Paul Weston Bill Finegan, an arranger who left Glenn Miller's civilian band, arranged for the Tommy Dorsey band from 1942 to 1950.



Tommy Dorsey e Orquestra "Opus One"

MATT DUSK, BACK IN TOWN


Canadian jazz musician/ vocalist Matthew-Aaron Dusk, aka Matt Dusk was born on November 19,1978 in Toronto,Ontario,Canada. His major label debut album "Two Shots" has been certified gold in Canada and he has appeared on Mark Burnett's reality TV show "The Casino".


From an early age, Matt Dusk wanted to become a performer. At the age of seven, he was accepted into the St.Michael 's Choir School, where he remained for eleven years. Originally Dusk performed opera and classical music but after hearing a couple Tony Bennett and Sarah Vaughan records at the age of 17 he began to change his musical style and direction. In 1998 he won the top spot in the Canadian National Exhibition Rising Star Competition, beating out 654 contestants. However, Dusk was on a path to take over the family business, and in 1998 went to Toronto's York University to study economics. After spending a year in the economics department, Dusk could not forget his passion for music and in 1999 changed programs to study for a BFA in music, where his emphasis was squarely on jazz and popular music.



He studied jazz theory with John Gittins, jazz vocal with Bob Fenton, and attended a masterclass with Oscar peterson. Dusk was also awarded the university’s Oscar Peterson Scholarship and in 2002 graduated with an honors degree in music.
Before Dusk had secured a major record deal, he recorded four independent CDs (The Way It Is being the only one re-released thus far) and many of his songs became popular on MP3 websites. In March 2003 he signed a major record deal with Decca Records. In 2004 Dusk was invited to the Golden Nugget Casino in Las Vegas to perform as in-house entertainer throughout the filming of the reality TV show "The Casino" on FOX.


His debut album "Two Shots" was released on June 5,2004. The album produced the hit single, "Two Shots of Happy, One Shot of Sad" which was written by Bono and The Edge from the Irish rock band U2. Dusk followed up his debut album with a holiday album entitled "Peace On Earth" which was released November 30,2005.


In January 2006 Dusk traveled to Los Angeles to record his next album Back In Town at capitol Records fabled Studio A. Here, Dusk recorded with a 58 piece orchestra. Back In Town features a mix of jazz standards and originals, and was released in June 2006. As a promotion, Matt included personally signed liner notes with every pre-ordered copy of this album.
In October 2007 the lead single Back In Town reached Number 1 on the Japanese pop radio charts. Matt Dusk is the first male jazz artist in Japanese history to reach Number one on the pop radio charts. This is his second #1 hit, the first being 'All About Me' also from the record Back In Town which was achieved in Canada in late 2006.


In March 2008 Dusk announced the recording of a new album. This album was released on October 27, 2009 in Poland and Canada. The album features an exciting new direction that vocally pays tribute to the style of swing/crooner jazz era (1940s-1960s) however is produced in a modern contemporary way. The album is a collection of original material and international #1 hits from around the world.


Matt sings "Back in Town"





Reference - Wikipédia

Wednesday, November 18, 2009

O CENTENÁRIO DE JOHNNY MERCER


Johnny Mercer, cujo centenário de nascimento se completa hoje 18 de novembro — fazia tudo bem, no dizer de seu amigo, empregado, intérprete e admirador Frank Sinatra. Mas nada como as mais de 1.200 letras que escreveu para alguns dos maiores compositores americanos: o Harold Arlen de “Blues in the night” e “One for the road”, o Jerome Kern de “I’m old fashioned” e “Dearly beloved”, o Hoagy Carmichael de “Skylark” e “Lazybones”, o Henry Mancini de “Moon River” e “Days of wine and roses”, o Harry Warren de “Dayeaming”, o Richard Whiting de “Too marvelous for words”, o David Raksin de “Laura”.

Mais de uma vez, Tom Jobim lamentou não ter sido Mercer o seu letrista americano, desejo recíproco, que um mau contrato com o esperto Ray Gilbert frustrou.



Entre as comemorações, duas se destacam: “Johnny Mercer, the man and his music”, quatro especiais de TV que Clint Eastwood (que, em 1997, usou na trilha do filme “Meia-noite no jardim do bem e do mal” apenas canções de Mercer), produziu para serem apresentados ao longo do mês nos Estados Unidos; e o livro “The complete lyrics of Johnny Mercer”, que está sendo lançado também nos EUA, sétimo de uma série que o musicólogo Robert Kimball, sozinho ou com parceiros, vem fazendo desde 1982.


Não é um livro comum, mas uma obra monumental, cobrindo rigorosamente toda a obra dos melhores letristas americanos. Mesmo concordando com Alan Jay Lerner (excelente letrista, ainda não focalizado na série), quando compara uma letra sem música a uma criatura esquelética que não deve desfilar nua pelas páginas de um livro; ou mesmo respeitando Chico Buarque, quando diz que, não sendo poesia, uma letra perde o sentido se lida sem a melodia para a qual foi escrita — mesmo com tudo isso, a série “The complete lyrics” é obrigatória para quem se interessa pela canção americana.


Cada letra é apresentada cronologicamente, na íntegra, por vezes com seus versos adicionais, em geral inéditos. Ano de edição ou de primeira gravação, quem a lançou, para que filme ou musical de teatro foi feita e, em muitos casos, histórias e outras informações completam o trabalho de Kimball, aqui coadjuvado pelos especialistas Miles Kreuger, Barry Day e Erik Davis. Tudo isso, entremeado com rico material fotográfico, acaba se transformando numa biografia musical de cada letrista.


Comparando Mercer aos seis que o antecederam na série, temos que, do primeiro, Cole Porter (livro editado em 1982), ele não tem a sofisticação e a universalidade. Enquanto Porter era um milionário com os olhos voltados para a Europa mais culta e, na época, mais chique, Mercer nasceu e cresceu no Sul, e jamais se afastou da infância interiorana, de pés no chão, na qual conviveu com a música e a poesia dos negros de Savannah, na Georgia.


Do segundo, Lorenz Hart (1986), ele não tem o sofrimento e a frustração embutidos em versos feitos mais para si mesmo do que para os intérpretes de seus filmes e peças. Como Hart, Mercer era um maníaco-depressivo minado pelo alcoolismo. Mas, ao contrário do grande parceiro de Richard Rodgers, cantava, e bem, o que, segundo seu biógrafo Bob Bach, era um modo de espantar a tristeza.



Do terceiro, Ira Gershwin (1993), Mercer difere por acreditar que letra de música é uma forma de poesia (“Qualquer semelhança entre letra e poesia — dizia Gershwin — é mera coincidência”). Assim, enquanto o outro chegou a publicar poesia escrita, Mercer musicou as que escreveu. Exemplo disso é a clássica “Dream”. O quarto, Irving Berlin (2001), é um caso à parte entre os letristas americanos. A simplicidade, o aproximar-se do homem comum, nos temas e nas palavras, foram as suas principais qualidades. Como Porter, Berlin compunha suas próprias melodias, de modo que o resultado era mais coeso, mais integrado do que o de Mercer quando é só letrista.


Maior é a aproximação de Mercer com o quinto da série, Frank Loesser (2003). Este, meio tarde, depois dos 40 anos, descobriu seu verdadeiro campo de ação: o teatro musical. Deixou para trás os tempos em que fazia letras para os outros, ou que escrevia sozinho para o cinema, e deu à Broadway dois de seus melho- res shows: “Guys and dolls” e o Prêmio Pulitzer “How to succeed in business without really trying” (traduzido por Carlos Lacerda e Billy Blanco, o musical, com o título “Como vencer na vida sem fazer força”, fez sucesso no Brasil com Moacyr Franco e Marília Pêra nos papéis principais).


Mercer nunca levou a Broadway muito em conta, embora tivesse colaborado com Harold Arlen em “St. Louis woman” (da qual é “Come rain or come shine”) e escrito “Top banana” para o comediante Phil Silvers. Pro- fissional, simplesmente, não recusava uma boa oferta. Por fim, não teve o sentimentalismo do sexto da série, Oscar Hammerstein II (2008). Nem o compromisso deste com os contextos a que servia no momento: praticamente tudo que Hammerstein escreveu foi para musicais da Broadway ou filmes, letras que substituíam o texto falado. Com todos os quatro Oscars ganhos, mais 19 indicações, as canções de Mercer para o cinema, tecnicamente bem construídas, têm algo a ver com a História.

Andy Williams canta "Moon River" de Johnny Mercer/Mancini
http://www.youtube.com/watch?v=flm4xcOyiCo
Fonte - Jornal "O Globo"

SHEILA JORDAN, LATE VINTAGE



Jazz vocalist Sheila Jeanette Dawson, was born on November 18, 1928, in Detroit, Michigan. Raised in poverty in Pennsylvania’s coal-mining country, Jordan began singing as a child and by the time she was in her early teens was working semi-professionally in Detroit clubs. Her first great influence was Charlie Parker and, indeed, most of her influences have been strumentalists rather than singers.


Working chiefly with black musicians, she met with disapproval from the white community but persisted with her career. She was a member of a vocal trio, Skeeter, Mitch And Jean (she was Jean), who sang versions of Parker’s solos in a manner akin to that of the later Lambert, Hendricks And Ross. After moving to New York in the early 50s, she married Parker’s pianist, Duke Jordan, and studied with Charles Mingus and Lennie Tristano, but it was not until the early 60s that she made her first recordings.



One of these was under her own name, the other was The Outer View with George Russell, which featured a famous 10-minute version of “You Are My Sunshine”. In the mid-60s her work encompassed jazz liturgies sung in churches and extensive club work, but her appeal was narrow even within the confines of jazz.



By the late 70s jazz audiences had begun to understand her uncompromising style a little more and her popularity increased - as did her appearances on record, which included albums with pianist Steve Kuhn, whose quartet she joined, and an album, Home, comprising a selection of Robert Creeley’s poems set to music and arranged by Steve Swallow.


A 1983 duo set with bassist Harvie Swartz, Old Time Feeling, comprises several of the standards Jordan regularly features in her live repertoire, while 1990’s Lost And Found pays tribute to her bebop roots. Both sets display her unique musical trademarks, such as the frequent and unexpected sweeping changes of pitch which still tend to confound an uninitiated audience.


Entirely non-derivative, Jordan is one of only a tiny handful of jazz singers who fully deserve the appellation and for whom no other term will do.

Sheila Jordan sings.




Reference - AAJ

Tuesday, November 17, 2009

DAVE BRUBECK NO "THE BLUE NOTE"


Há cinquenta anos Dave Brubeck lançou o disco “Time Out” pela Columbia Records. Agora ele celebrará este marco com três performances no “The Blue Note” em Nova York de 27 a 30 de Novembro.


Atuando com Brubeck estarão seus antigos companheiros Bobby Militello no saxofone,clarinete e flauta; Michael Moore no baixo e Randy Jones na bateria.Brubeck tinha obtido algum sucesso comercial com o álbum “Jazz at Oberlin”, mas a reação do público com “Time Out” foi além das expectativas dos músicos e do selo. “Time Out” foi gravado em 1959 com, talvez, o seu mais famoso grupo composto por Paul Desmond no sax, Eugene Wright no baixo e Joe Morello na bateria.


Quase imediatamente após o lançamento o álbum veio a ser um sucesso, coisa rara para uma gravação de jazz. O sucesso foi impulsionado por duas músicas: “Take Five” de Desmond, que é bem intricada, e veio a ser uma das composições mais tocadas no repertório jazzístico e “Blue Rondo ala Turk” de Brubeck, baseada, em parte, em uma melodia folclórica turca , e veio a ser um “standard”. Estas canções apareceram nas máquinas que tinham músicas gravadas acionadas por moedas, instaladas em bares, ao longo dos Estados Unidos.



No dias atuais, “Take Five” é, praticamente, a única canção do estilo “straight-ahead jazz”, que é executada nas estações de rádio “ Smooth Jazz”. A banda, realmente, encerrou suas atividades em 1967. O grupo excursionou pelo mundo, e Brubeck veio a ser conhecido como embaixador do jazz. Não importava onde ele se apresentava , se em um campus universitário ou em uma embaixada no Oriente Médio, as platéias pediam para ouvir “Time Out”.



Em reconhecimento à passagem de meio século deste lançamento, a “Sony/Legacy” divulgará uma edição especial com três discos de “Time Out” com a sua edição original completa, que foi remasterizada pela primeira vez em 1997, um CD de oito performances ao vivo, nunca lançadas, gravadas no “Newport Jazz Festival” nos anos de 1961,1963 e 1964, e um DVD com um documentário de 30 minutos sobre a gravação de “Time Out”, com uma entrevista exclusiva de Brubeck, várias performances antigas e muito mais.



Uma semana depois, em 06 de Dezembro, em seu 89º aniversário, Brubeck será homenageado no “Kennedy Center” como parte da sua prestigiosa Noite de Gala.


Dave Brubeck toca "Take Five"




Fonte: JazzTimes / Lee Mergner

Monday, November 16, 2009

DIANA KRALL, A BELA DO JAZZ


A cantora de jazz canadense Diana Krall, nasceu no 16 de novembro de 1964 na British Columbia, Estado do Canadá. Ela começou a ter lições de piano clássico aos quatro anos, e seu pai, um pianista stride com a coleção completa de Fats Waller, a introduziu ao jazz quando era muito nova. Suas primeiras inspirações foram o seu professor de jazz do ginásio, Bryan Stovell, e a cantora/pianista local, Louise Rose, que lhe deu lições de piano e a encorajou a cantar.Ela ganhou uma bolsa escolar para a Berklee College of Music, e por lá ficou durante um ano e meio.




Diana fez a sua estréia profissional tocando em restaurantes quando tinha 15 anos, e aos 19 já estava no grupo do baixista Ray Brown, que a trouxe de Nanaimo e sugeriu que ela estudasse com Jimmy Rowles em Los Angeles. Três anos depois Krall voltou a Toronto para estudar com o pianista de jazz Don Thompson.O primeiro disco de Krall “Stepping Out”, foi gravado pela Justin Time Records em 1993. Dois anos depois gravou para a GRP o disco “Only Trust Your Heart”. Seu álbum fundamental foi gravado em 1996 para a Impulse!, “All For You”, disco que é tributo a Nat King Cole sendo acompanhada pelo seu trio, que tem o guitarrista Russell Malone e o baixista Paul Keller. Ele ficou 70 semanas na “Billboard Top 10 Traditional Jazz” e Krall foi indicada para o Grammy na categoria de Melhor Vocalista de Jazz. Diana prosseguiu em seu sucesso em 1997, com “Love Scenes”, secundada por Malone na guitarra e Christian McBride no baixo. Este álbum também foi indicado para um Grammy, foi o primeiro álbum a ganhar disco de platina no Canadá.



O disco seguinte “When I Look in Your Eyes”, foi gravado em 1999 pela Verve. Nele, Diana deixa de lado os tradicionais trio ou quarteto e utiliza orquestra na maioria das faixas do disco. Entre as canções destacam-se a de Frank Sinatra "Ring A Ding Ding" e a de Cole Porter "Under My Skin". “The Look of Love” fez com que Krall ganhasse 3 prêmios Juno em 2002, como Artista do Ano, Álbum do Ano e Melhor Álbum Vocal do Ano.Em 2004, Krall depois de se casar com o músico Elvis Costello gravou sob a direção do marido o álbum “The Girl in the Other Room", que inclui 6 parcerias do casal além de canções de músicos outsiders, como Tom Waits.

Diana canta "The Look of Love"
http://www.youtube.com/watch?v=it1NaXrIN9I

Fonte -CDJ

W.C. HANDY O MESTRE DOS MESTRES DO BLUES


Em 1903, o músico, grande compositor de blues e beberrão W.C. Handy, que nasceu no 16 de novembro de 1873, estava dormindo numa estação ferroviária do estado americano do Mississipi. Subitamente, foi despertado por um vagabundo que tocava violão de um modo muito peculiar: arranhava as cordas usando a lâmina de uma faca. Nove anos depois, Handy entrou para a história escrevendo “The Memphis Blues”, a primeira partitura de blues a ser publicada. E, em 1914, ele chegaria às rádios com a pioneira “St. Louis Blues”, canção que levou ao resto dos Estados Unidos o ritmo nascido na zona rural do lamacento delta do rio Mississipi – e que, num futuro próximo, mudaria os rumos da música popular.


Em sua biografia, Handy cita o encontro com o violonista marginal como uma das influências que o fizeram compor e gravar os primeiros blues registrados. Mas quem seria o misterioso guitarrista? Foi com questões como essa na cabeça que o cartunista americano Robert Crumb passou duas décadas investigando as origens do gênero musical. O resultado dessa pesquisa, digna de um historiador, está em Blues, coletânea produzida especialmente para o Brasil, reunindo quadrinhos que Crumb desenhou sobre o assunto em diferentes períodos de sua carreira, entre os anos 60 e 80.


O cartunista, aliás, encontrou uma identidade para o autor daquela serenata para violão e faca. Na estação ferroviária, Handy teria sido acordado pelo músico Henry Sloan, que ficou conhecido por ter ensinado Charley Patton, uma das primeiras lendas vivas do blues, a tocar instrumentos de corda. Mais tarde, o aprendiz viria a se tornar especialista na técnica da faca, que acabou virando um estilo chamado slide – em que o instrumentista passa ao longo das cordas um pedaço de metal ou um gargalo de garrafa enfiado no dedo.


Pai de personagens como Fritz the Cat, Crumb é conhecido pelas duras críticas que faz ao moralismo e à hipocrisia presentes nos Estados Unidos. Nascido na conservadora cidade da Filadélfia, em 1943, foi na distante São Francisco que, no final dos anos 60, ele lançou a Zap Comix, revista de quadrinhos que sacudiu o cenário alternativo. Em suas páginas, Crumb avacalhava os valores da família tradicional americana. A partir daí, o cartunista tornou-se uma espécie de guru do underground.


O traço rústico de Crumb cai como uma luva para falar do blues, gênero imerso no sofrimento, na violência e na bebedeira. No começo do século 19, aliás, a palavra blues estava ligada às alucinações provocadas pelo delirium tremens, a síndrome de abstinência de álcool. Daí para ter seu significado associado à sensação de infelicidade, foi um pulo. Nos anos 1860, a professora negra Charlotte Forten, que dava aula para escravos na Carolina do Sul, registrou em seu diário: “Voltei para casa com os blues”. E completava: “Joguei-me na cama e lamentei minha sorte”.
Movidos a álcool


Mais do que nomes e datas,Blues resgata o clima do velho Mississipi, do jeito que era antes que a indústria fonográfica americana decidisse gravar discos do gênero. As histórias foram desenterradas pelo cartunista em peregrinações por bairros negros americanos, em busca de discos das décadas de 20 e 30. A antologia começa com a história de Charley Patton. Fanfarrão incorrigível, que passava a maior parte do tempo bêbado, ele foi um dos representantes mais fiéis da autêntica sonoridade do Mississipi, permanecendo distante do blues comercial (aquele repleto de divas negras que cantavam acompanhadas por suntuosas bandas de jazz). Famoso por sua vida desregrada, Patton fez história como professor de gente como Eddie Son House, Howlin’ Wolf, Thommy Jonhson, Bukka White e outros mais, que viriam a se tornar lendas do gênero pouco tempo depois.


O perfil dos grandes nomes do blues retratados no livro de Crumb é basicamente um só: enorme criatividade, movida a generosas doses etílicas, combinada a um desdém às convenções da vida em sociedade. Passagens pela cadeia estavam longe de ser fato raro entre o grupo – o próprio Patton foi preso por causa de uma briga em que se meteu enquanto vagabundeava bêbado pela noite do Mississipi, alheio ao sucesso de sua música.


A época de ouro do blues foi marcada pela vigência da Lei Seca, que proibiu o consumo de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos entre 1920 e 1933. Os barrelhouses, botecos improvisados de madeira, comuns no Mississipi, eram constantes alvos de batidas policiais. Durante a noite, fervia ali uma mistura explosiva de música,dança e álcool que, não raro, explodia em confusão. Muitas vezes os drinques eram servidos em latas – já que copos e garrafas de vidro viravam armas a cada briga.


Se as autoridades farejavam confusão naquele ambiente, a indústria fonográfica sentia cheiro de lucro. Ao perceber o potencial do novo ritmo, começou a oferecer dinheiro àqueles que topassem adestrar seu potencial criativo, adaptando o blues tradicional a uma versão mais comercial. Vários não se importaram em ceder. Inspirado nesse tipo “vendido”, Crumb criou Tommy Grady, que abandona mulher e filhos no Mississipi e cai na estrada rumo a Memphis, no Tennessee, acompanhado de dois parceiros. Mas Tommy deu azar. Com a quebra da Bolsa de Nova York, ocorrida em 1929, uma grave crise econômica se abateu sobre a economia americana e mundial. Música virou artigo de luxo e os investimentos no setor minguaram.



Na vida real, o mestre Robert Johnson, também retratado por Crumb, teve sorte melhor ao sair do Delta. Na década de 20, ainda jovem, ele se aproximou de velhos blueseiros, incluindo Charley Patton – seu sonho era ser como eles. Mas, desacreditado pelos blueseiros antigos, ele acabou saindo do Mississipi. Tempos depois, Johnson ressurgiu. E trouxe consigo um novo estilo de tocar. Entre 1936 e 1937 criou canções revolucionárias. Anos depois de sua morte, ele viraria o guru de roqueiros como Eric Clapton. Há quem diga que a reviravolta em sua carreira só aconteceu por causa de um pacto com o diabo (veja quadro acima).


Além de trazer à tona velhas histórias,Blues presenteia os leitores com a reprodução de cartazes de shows e capas de discos e revistas, todos desenhados por Crumb. São mais de 20 imagens. Uma das obras mais famosas é a capa do álbum Cheap Thrills, de Janis Joplin, amiga do cartunista. A ilustração, entretanto, tinha sido criada para ser a contracapa. Contrariado pela decisão, Crumb foi brigar com a gravadora. Além de não conseguir impor sua idéia original, acabou sem receber nenhum tostão pelo trabalho. O cartunista, aliás, costuma torcer o nariz para a música moderna, que seria responsável pela desvalorização do blues e do jazz tradicionais. “Talvez o ápice dessa rejeição tenha sido o dia em que Crumb bateu a porta na cara dos Rolling Stones”, conta Rogério de Campos, diretor da Conrad, editora que lançou Blues. “A banda queria que ele desenhasse a capa de um de seus discos, mas ficou só na vontade.”



A relação íntima de Crumb com a musica americana da primeira metade do século 20 se concretizou na banda de jazz Cheap Suit Serenaders, com quem gravou três discos nos anos 70. Responsável por tocar banjo (e por ilustrar capas e cartazes), o cartunista fez questão de encher o repertório com canções daquela época. Segundo ele, a música antiga possui uma alma verdadeira, própria da arte popular. “Tudo o que foi feito para agradar a aristocracia não tem a qualidade humana bruta que possuem as formas artísticas das classes inferiores”, diz Crumb no posfácio de Blues.
Revoltado com o conservadorismo americano e com a cultura pop, Crumb acabou se mudando para um vilarejo no sul da França, onde vive com a mulher, a filha e um punhado de galinhas. A calmaria, porém, fica restrita à paisagem bucólica que ele vê da janela. Isso porque, dentro de casa, uma bomba está sendo preparada, com lançamento mundial previsto para 2007. Trata-se da versão em quadrinhos para o Gênesis, livro da Bíblia que narra a criação do mundo. É esperar para ver.

Cruz credo!
Quer aprender rápido? Procure o capeta

No velho Mississipi, acreditava-se que o modo mais fácil de se tornar mestre do blues era selar um pacto com o demônio. O músico Thommy Johnson garantia ter feito isso para aprender a compor e a tocar. Em Blues há uma história em que ele aparece e dá a receita do sucesso fácil: “Pegue seu violão e vá para um lugar onde tenha uma encruzilhada”, diz. “Tome o cuidado de chegar um pouco antes da meia-noite e fique lá com seu violão, tocando uma música sentado, sozinho.” Se um grande homem negro se aproximar, afinar o violão e tocar uma canção, parabéns: o negócio está confirmado. Dizem que o grande Robert Johnson fez exatamente isso, na encruzilhada das rodovias 61 e 49, em Clarcksdale, Mississipi. Sua morte misteriosa é vista como evidênciado pacto sinistro. Ao que parece,ele foi assassinado. Mas há quem afirme que ele teria sido levado pelo demônio – que teria vindo à Terra cobrar dele uma antiga dívida.
Cancioneiro crumbiano
Músicas que fizeram acabeça do cartunista
Ao longo de sua obra, Crumb mapeou uma verdadeira trilha sonora, baseada nos becos do blues por onde passou, repleta de raridades de épocas remotas e autores praticamente desconhecidos. Alguns clássicos, entretanto, podem ser encontrados com relativa facilidade. Do pioneiro Charley Patton, uma das obras mais importantes é “High Water”, em que ele se lembra, de maneira comovente, da grande enchente de 1927, quando o rio Mississipi alagou as redondezas após ter alguns de seus diques rompidos. “Não achei ninguém em casa e pessoa alguma pude encontrar”, diz a letra. O lamento do compositor marginal foi regravado por Bob Dylan no álbum Love and Theft, de 2001. Crumb cita também “It won’t be Long”, de 1929, em que Patton narra suas aventuras sexuais, bebedeiras e farras.



Já Robert Johnson, que influenciou inúmeros roqueiros com seu estilo único de tocar, escreveu nos anos 30 a emblemática “Crossroads”, que faz referência aos lendários pactos com o diabo que teriam sido feitos em nome do blues. No disco Wheels of Fire, de 1968, Eric Clapton reinterpretou a canção ao lado da banda Cream. Mas nem só de blues viveu o garimpo musical de Crumb. Revirando discos de 78 rotações, ele resolveu fazer uma seleção de músicas antigas cantadas por mulheres de países tropicais. A pesquisa durou meses e o resultado pode ser conferido no disco Hot Women, lançado nos Estados Unidos em 2003. Entre as 24 faixas, em meio a criações de várias partes do mundo, há uma composição brasileira. É “Quero Sossego”, de 1931, gravada por Aracy Cortez, cuja voz embalou sucessos carnavalescos das décadas de 20 e 30.


Ouça St.Louis Blues de W.C. Handy




Saiba mais lendo o livro Blues de Robert Crumb, Edt. Conrad, 2004 - R$ 45