Friday, April 07, 2006

BILLIE HOLIDAY



Hoje 7 de abril de 2006 é um daqueles dias mágicos em minha vida. È o dia em que na cidade americana de Baltimore em 1915, nasceu Eleonora Fagan que mais tarde seria conhecida no mundo inteiro como Billie Holiday, a maior de todas as divas do jazz; é o Dia do Jornalista e também dia em que o programa radiofônico “Momentos de Jazz” que criei nesta data em 1995 e tenho a honra de apresentar até os dias de hoje pelas ondas da Radio Amazonas FM em Manaus, completa onze anos de existência. São muitas emoções para um dia só, como diria o romântico Roberto Carlos.
Escolhi relatar um episódio marcante na vida de Billie, que nada tem a ver com as centenas de artigos já publicados sobre o seu relacionamento com as drogas pesadas e as conseqüências nefastas na sua vida e carreira artística, para marcar esta significativa ocasião.
Tudo começou numa noite no inicio da década de 1939, quando um único gesto de um cliente do clube noturno Café Society mudou a história da musica Americana. Nesta noite Billie cantou pela primeira vez diante de uma platéia a canção “Strange Fruit.
O Club Café Society era considerado para época, o único lugar de divertimento realmente “integrado”, um lugar que atraia notívagos de idéias avançadas e mente aberta. No entanto, segundo relato da própria Billie que então era contratada da casa, mesmo assim ela temia cantar a tal canção, pois a letra era claramente um protesto veemente contra o preconceito e o ódio racial, usando como pano de fundo os linchamentos culminados por enforcamentos de negros no sul dos Estados Unidos. Vale aqui mencionar que até então, as musicas de protesto não eram conhecidas.
Durante a sua apresentação, Billie reuniu toda coragem que tinha, e começou subitamente a cantar “Strange Fruit”, como sempre, de forma sublime, sincera. Ao terminar, por alguns segundos, nada, nenhum som de aplausos. De repente, como num passe de mágica, um cliente visivelmente emocionado começou a ovaciona-la freneticamente, no que foi seguido por todos os presentes. A partir desta noite memorável, cantar “Strange Fruit” passou a fazer parte do ritual noturno da grande cantora, que partiu determinada para grava-la em disco, criando a sua primeira assinatura musical.
Durante a sua rápida passagem por aqui - ela morreu em 1959 com 44 anos – a canção foi submetida a uma espécie de quarentena artística: Billie conseguia canta-la somente em lugares previamente selecionados e seguros.
Passados todos estes anos desde a morte de Lady Day, platéias ao redor do globo, continuam aplaudindo, respeitando e sendo tocadas por esta balada perturbadora, singular no repertório da musica americana e marcante em muitas gerações de escritores, músicos e ouvintes brancos e negros, nos Estados Unidos e no resto do mundo.
O grande escritor de jazz Leonard Feather uma vez declarou que “Strange Fruit” foi “o mais significante protesto em letra e música”.
Billie cantou esta canção 16 anos antes que Rosa Parks, recentemente falecida, se recusasse a ceder para um branco o seu lugar em um ônibus em Montgomery, Alabama.
Cantando “ Strange Fruit” Billie Holiday fez a primeira “declaração de guerra” ao preconceito racial.... deu inicio ao movimento em prol dos Direitos Civis na América.

Happy birthday Billie, wherever you are!!!!

1 comment:

Kaamirã said...

Querido Humberto, dar conhecimento ao seu público de um episódio tão marcante na história da música e da vida civil dos norte-americanos, que pela voz da eterna Billie Holiday simbolizou o mais pungente canto a favor dos oprimidos pelo preconceito de cor, revela mais do que sua sensibilidade jornalística, revela o homem e seu amor à humanidade. Viva Billie! Viva o Momentos de Jazz! Vida longa para você, irmão.