Thursday, May 25, 2006


Sentados em um barril de pólvora

Por Humberto Amorim* em 24/05/2006

Brasileiro tem o hábito de fechar a porta depois que o ladrão entra. Infelizmente, os acontecimentos que ultimamente têm alimentado as manchetes,matérias e editorias de grandes jornais e cadeias de televisão, deixam isso bem claro. Segundo relatos mais recentes, os episódios que se seguiram a explosão de violência em São Paulo foram precedidos de alguns sinais de fumaça emitidos pelo vulcão de violência instalado nas penitenciarias do mais poderoso Estado do Brasil, que foram desdenhados e totalmente ignorados pelas principais autoridades competentes do setor de segurança. Somente depois que o vulcão explodiu, ceifando covardemente as vidas de gente honesta e trabalhadora e atentando contra as instituições publicas é que ações de repressão aos ataques por parte do estado foram tomadas.Existem muitos fatos que continuam a estarrecer a sociedade acerca do sistema prisional no Brasil. Presídios lotados, corrupção, falhas na segurança e falta de alternativas para evitar a ação dos criminosos, são os principais. Nos países do primeiro mundo, bandido servindo pena não tem privilégios. O regime reinante nos presídios é de obediência às regras, muita disciplina e trabalho.Quem escrever fora da cartilha, é punido sem apelação. Afinal de contas, é isso que se espera do Sistema Prisional: que o preso cumpra a sua pena, seja reabilitado e devolvido à sociedade.No caso do Brasil onde inexiste a vontade política para investir no sistema, as penitenciárias são depósitos de presos, escolas do crime para os novatos e quartel-general para os chefões do crime organizado, isto ainda é um sonho muito distante da realidade.A situação nos presídios de Manaus não difere do resto do país. Precisamos estar alertas aos sinais que correm na imprensa de que rebeliões estão sendo programadas para acontecer nos próximos dias. E, se estamos sentados em um barril de pólvora prestes a explodir, a sociedade deve fortalecer o gênio do bem na luta contra o gênio do mal, permanecendo coesa no apoio às ações eficientes de repressão por parte das forças de segurança publica.Por sua vez, todos os setores de segurança devem unir capacidade e inteligência para se manter na vanguarda de acontecimentos que porventura estejam sendo planejados pelo crime organizado que deve, pelo menos aqui, ter seu círculo de influência interrompido com o máximo rigor.

Monday, May 22, 2006




GILBERTO MESTRINHO E OS DOIS LADOS DA MOEDA.



Entrevistei no programa “Encontro com o Povo” pelo Amazon Sat nesta última quinta-feira, o senador Gilberto Mestrinho que acaba de completar 78 anos de idade. O velho Boto, tal qual Frank Sinatra que manteve o mesmo repertório musical ao longo de sua brilhante carreira, continua com o mesmo discurso contra os “exageros dos eco xiitas ” que segundo ele, posicionam a preservação da floresta como sendo mais importante que o homem amazônico e os mesmos chavões: “Se o povo quiser serei candidato novamente..., “Sempre amei o Amazonas mais do que as mulheres...”, “O Brasil trata árvore como Indiano trata vaca..”. Estes são apenas alguns dos trapézios verbais que o tem mantido no poder por tanto tempo.
O homem demonstra firmeza de propósitos sem igual, e quem duvidar, é só dar uma olhada nos números da sua última eleição vitoriosa ao senado quando recebeu nas urnas 405 mil votos em todo Estado do Amazonas.
De volta a tranqüilidade de minha casa, lembrei-me de um antigo episódio que teve o velho senador como ator principal e que até hoje guardo como uma lição, principalmente, para aqueles que sonham com o poder como meta de conquista.
Depois de ter sido massacrado pelo resultado das urnas na eleição para prefeito de Manaus em 1988, Gilberto Mestrinho fez exatamente o que fazem os perdedores nestas ocasiões: enfiou com toda dignidade que lhe é peculiar a sua viola no saco e foi cantar em outra freguesia. Passou um tempão se fingindo de morto para enganar os bobos na casca do ovo.
Nesta época eu produzia e apresentava um programa domingueiro de 8:00 horas ao meio dia pela Radio Amazonas FM que se chamava “Oficina de Turismo”. O formado era inovador e irreverente. Tocava do jazz ao brega, entrevistava personalidades, políticos, cozinheiras, taxistas, prostitutas, travestis, cheira-colas (recebi um prêmio da hoje extinta Associação Amazonense de Imprensa que na época tinha como presidente o atual Deputado Federal Francisco Garcia, por ter levado pela primeira vez ao estúdio de uma radio cinco meninos de rua que detonaram a policia e seus métodos, o aliciamento dos homossexuais em troca de cola de sapateiro e dinheiro) e comentava sobre um determinado assunto que escolhia a dedo durante a semana. Geralmente, após a minha abordagem, pelo telefone os ouvintes manifestavam-se a favor ou contra, ao serem colocados no ar.
Lembro-me de uma vez em particular quando com muita veemência critiquei as centenas, talvez milhares de “cabocas” de Manaus por estarem pintando os belos e brilhosos cabelos negros, de amarelo, macaqueando uma artista da novela que fazia muito sucesso então. Passeando pela Eduardo Ribeiro aos sábados a impressão era de estar nas ruas dos países da Escandinávia, lotadas de louras.... todas falsas. Como vaticinou o poeta Aldisio Figueiras, Manaus jamais será Liverpool, mas certamente já teve realçado o seu lado Estocolmo (sic), pelo menos nos cabelos de suas mulheres.
Meu comentário deu muito pano para manga e me presenteou com a amizade que cultivo até hoje do meu confrade de diretoria na Associação Brasileira dos Amigos do Vinho, Pedro Missioneiro, um dos ouvintes que se manifestou a favor de minha critica.
Voltando ao eixo deste artigo. Certo dia telefonei, no finalzinho de 1989 para o então cidadão comum sem-mandato Gilberto Mestrinho, pois havia sido informado que ele, na surdina, já havia visitado mais de trinta municípios do Amazonas, como parte da estratégia de retomada do poder, desta vez como candidato a Governador do Estado e que se encontrava em Manaus repousando da maratona interiorana naquele fim-de-semana. Quem atendeu a ligação foi seu fiel escudeiro e sempre gentil Antonio Bentes Pacheco. Aguardei por alguns instantes e de repente escutei a voz do Professor que já veio me saudando efusivamente, perguntando como ia a minha família, o meu trabalho e arrematou dizendo que estava com saudade de nossas entrevistas. Eu então, de forma bem pragmática fui direto ao ponto: convidei-o para relatar o estado em que se encontravam os municípios por ele visitados numa entrevista ao programa. Meu convite foi aceito de pronto e agendamos para o domingo as 8:30 horas nos estúdios da Radio Amazonas.
O domingo amanheceu muito nublado e por volta das 8 horas começou a desabar um toró sobre Manaus, para dorminhoco nenhum colocar defeito. Fiquei apreensivo pois havia divulgado a entrevista a exaustão, esta seria a primeira que ele daria depois que perdeu a eleição e aquele dilúvio parecia que ia colocar areia no meu pirão. Para minha surpresa e gáudio, bate o telefone do estúdio, era a portaria me comunicando que um senhor se auto-denominando “ governador Mestrinho” estava a minha procura. Chovia a píncaros.
O estúdio da Radio Amazonas ficava no final de um grande e bem arborizado terreno baldio onde hoje se encontra o edifício-sede da Rede Amazônica de Televisão. Entre a portaria e a porta do prédio, muita lama, bota lama nisso. No meio do lamaçal caminhando sobre uma ponte improvisada de pranchões, lá vinha ele, amparado por Pacheco, com as calças enroladas, de alpercatas, disputando a proteção de um pequeno guarda-chuva.
A presença dele no programa foi um sucesso de audiência. Entrevista que é bom, quase nada. Tomou conta do programa, escolheu músicas, conversou com os ouvintes pelo telefone, ouviu pacientemente todas as denúncias, queixas e lamúrias, fez promessas e apontou para as soluções, se fosse reconduzido ao Palácio Rio Negro. Encerrou a participação dizendo aos ouvintes: “Se vocês quiserem, eu serei candidato a Governador, fiquem tranqüilos”.
Despediu-se com um abraço fraterno e assegurou que a primeira entrevista como governador-eleito seria para mim. O cidadão Mestrinho deixou o estúdio com o astral mais em cima. Lá fora, o ruído da chuva que não dava trégua, continuava.
Em Dezembro de 1990 , após as eleições, Gilberto eleito, dito e feito. Antonio Pacheco me liga e pergunta onde e quando seria entrevista.

Thursday, May 18, 2006


O maior ecologista da Amazônia é o mosquito da malária

Por Humberto Amorim* em 17/05/2006

A partir da década de 70, com a Política do Governo de promover a integração e desenvolvimento econômico da Região Amazônica, foram abertas várias estradas,construídas usinas hidrelétricas, ativados diversos garimpos e lançados grandes Projetos de Colonização e Reforma Agrária.Estes fatores provocaram um crescimento demográfico acentuado e desordenado devido a atração de mais de 1 milhão de pessoas para região, causando ocorrências de epidemias de malária dispersas em toda Amazônia, sem a necessária estrutura de saúde apara atender a população.Segundo as declarações do Ministro da Saúde Agenor Álvares, que esteve neste fim de semana em Manaus, em 1999 foram registrados mais de 600 mil casos de malária na Amazônia Legal, região que concentra mais de 99% das ocorrências no Brasil.No ano 2000, concomitante ao processo de descentralização das ações da Vigilância em Saúde, que instituiu o repasse de recursos para estados e municípios certificados na modalidade fundo a fundo, por intermédio do Teto Financeiro de Vigilância em Saúde, o Ministério lançou o Plano de Intensificação das Ações de Controle da Malária na Amazônia Legal.Para viabilizar a execução das ações de Vigilância em Saúde o Ministério da Saúde em 2003 repassou para os fundos municipais e estaduais de saúde, recursos de onze milhões setecentos e quarenta e seis mil reais. Em 2004 a verba foi de cento e dezoito milhões seiscentos e sessenta e um reais em 2005 cento e quarenta e um milhões oitocentos e nove mil reais. Estima-se que 70% desses recursos são aplicados no controle da malária, pela maioria dos estados e municípios da Amazônia Legal. Atualmente, os 808 municípios da Amazônia Legal contam com 3.075 laboratórios para diagnóstico da malária, 14.005 unidades de notificação da doença e 40.516 agentes de saúde envolvidos no controle da endemia, além de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde para atenção ao paciente, atendendo 129.923 localidades. Essa ampla rede de laboratórios e tratamento possibilitou, em 2005, a realização de mais de três milhões de exames para o diagnóstico e acompanhamento de casos de malária, bem como o tratamento de todos os casos diagnosticados, inteiramente grátis para a população.Apesar de todos os recursos investidos e esforços envidados pelo Ministério da Saúde no ano de 2005 foram notificados 600 mil casos de malária, correspondendo a um aumento de 29% em relação a 2004. Esta frustrante constatação deveu-se principalmente a intensa e desordenada ocupação das periferias das capitais dos estados do Amazonas e de Rondônia e no município de Cruzeiro do Sul no Acre. Esses municípios concentram 26% dos casos de malária da Região.O desmatamento para extração de madeira, criação de gado, agricultura e assentamentos não oficiais também tem contribuído para o aumento da transmissão da doença. Um novo fator colaborador que se fosse mencionado a dez anos ninguém acreditaria, é o aumento dos criadouros do mosquito vetor da malária em função da atividade de piscicultura, com a construção de tanques artificiais, seja nos quintais dos domicílios ou nas periferias de diversas cidades.O abandono de milhares de tanques no interior, principalmente em Cruzeiro do Sul no Acre, tem agravado ainda mais este quadro.Felizmente nem tudo é motivo para alarme. Rigoroso monitoramento dos programas implantados em conjunto com a Organização Pan-Americana de Saúde e instituições de pesquisas da Amazônia, possibilitou detectar o inicio da resistência do Plasmodium falciparum, parasito transmissor da forma mais grave da malária, ao sulfato de quinina. A partir desta informação, o Ministério adotou providencias para importar uma nova droga, que já foi testada no Brasil e que tem eficácia e efetividade constatadas, para substituir aquela medicação. Ainda neste mês e maio será implantado este novo tratamento para malária falciparum. Por outro lado, os efeitos desse acompanhamento sistemático já surtiram efeito no primeiro trimestre de 2005, com a redução dos casos de malária em todos os estados, exceto no Acre.Uma coisa é certa, embora a malária continue sendo um grave problema de saúde pública na Região Amazônica, a sua incidência pode ser reduzida pelas ações dos serviços de saúde, como já demonstrado no país, neste e em outros contextos.A nova dinâmica de transmissão é muito influenciada pelo crescimento desordenado das cidades médias e grandes da Região Norte. Por isso o Ministério da Saúde desencadeou amplo processos de mobilização de forças multisetorias, principalmente dos gestores de saúde nos estados e municípios da Região Amazônica. O objetivo é a promoção articulada da ordenação de movimentos populacionais, com priorização, em suas respectivas agendas, das ações de vigilância, prevenção e controle da malária.Finalmente acho bom esclarecer o titulo deste artigo. Maca é um cantor-compositor muito conhecido em Manaus e é dele a música “O Mosquito da Malária”. Retirei uma estrofe de seus versos para lembrar a todos que o mosquito da malária através dos séculos, até a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, onde ocorreu no inicio do século passado a maior explosão da doença com milhares de vitimas fatais, estava lá no seu cantinho no topo das árvores se alimentando de roedores até que um dia chegaram os predadores humanos e começaram a derrubar as árvores, ato contínuo, deu nisso tudo que acabamos de constatar.O artigo acima é de responsabilidade do autor. Não reflete necessariamente a opinião do Portal Amazônia ou do grupo Rede Amazônica. Opiniões devem ser enviadas para botafogoamorim@uol.com.br


Guerreiras Amazonas da modernidade clamam por seus direitos

Por Humberto Amorim* em 03/05/2006


Há três anos uma luta silenciosa e aguerrida tem sido mantida pelas guerreiras amazonas da modernidade, muito parecidas com àquelas avistadas pelo explorador espanhol Francisco Orellana no município de Nhamundá no Amazonas nos idos de 1540, que removiam um dos seios para melhor utilização do arco e flecha durante as batalhas. As guerreira de hoje também tiveram um ou os dois seios removidos (mastectomizados), mas por outra causa: sobreviverem para continuarem no campo de batalha contra o câncer mamário. A luta é motivada pelo desafio de conseguir para todas que foram submetidas ao procedimento de mastectomia, a reconstrução das mamas, principalmente para aquelas mulheres que não dispõem de recursos para pagar uma oncoplástica na rede particular de saúde em Manaus. Os maiores entraves encontrados pelas dirigentes do Centro Integrado Amigas da Mama (Ciam) que tem a coordenação de Joana de Fátima, são a falta de apoio governamental e o desinteresse pela causa. O Ciam é uma ONG não governamental que sobrevive com certa dificuldade e muita dignidade desde 1999. É formada por um grupo de voluntárias que tem como sede uma casa alugada que fica em frente ao Hospital do Câncer, para facilitar a ida e vinda dos pacientes que visitam a casa por períodos que vão desde a notificação da doença até o final do tratamento. As amigas da mama querem tão somente fazer valer os direitos previstos pela lei 9.797 de maio de 1999 que obriga o SUS a realizar a reconstrução mamária nas pacientes que foram submetidas à mastectomia radical desde que tecnicamente possível. É preciso deixar claro que este procedimento cirúrgico faz parte do tratamento do câncer de mama e não é de forma alguma um mero capricho de vaidade. A mutilação feminina acarreta transtornos e perdas quase irrecuperáveis, tendo em vista que a mama simboliza a não só sexualidade da mulher como também o divino evento da maternidade.Essas bravas guerreiras têm feito de tudo; já recorreram ao ministério público Estadual em 2005 quando do II FÓRUM FEMININO DE LUTA CONTRA O CÂNCER e em 2004 a uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Estado.Até agora, estão pregando no deserto.Para se ter uma idéia da gravidade, de 2000 até hoje foram realizadas apenas 18 reconstruções no âmbito público estadual; em contra-partida na Fundação Cecon 93 mastectomias radicais foram realizadas em 2005. Até quando mulheres tão sofridas com diagnósticos de câncer lidando com o medo, o pânico de um recidiva da doença ou de uma metástase, com tamanha mutilação, terão que lutar pelo óbvio? Estão cogitando uma medida radical para chamar atenção da sociedade: descer a Avenida Eduardo Ribeiro encapuzadas com os seios à mostra. A quem de direito fica a questão: será preciso chegarem a tanto?O artigo acima é de responsabilidade do autor, não reflete necessariamente a opinião do Portal Amazônia ou do grupo Rede Amazônica. Opiniões podem ser enviadas para botafogoamorim@uol.com.br

Liberdade, ainda que tardia

Por Humberto Amorim* em 13/05/2006

No dia 13 de maio de 1888 a Princesa Imperial Isabel Cristina Leopoldina de Bragança, filha do Imperador D. Pedro II, também conhecida como “A Redentora”, assinou a Lei Áurea que sancionou a extinção da escravidão, tornando o Brasil no último país a por fim ao período de escravatura nas Américas. Pelo feito recebeu de SS o Papa Leão XIII a Rosa de OuroNão resta a menor dúvida que este acontecimento foi um marco importante para o que deveria ter sido o inicio da integração social dos negros na sociedade brasileira. Infelizmente, não foi observado após a assinatura da famosa lei, nenhuma providência por parte dos mandatários da época, para que tal acontecesse. Os negros ex-escravos foram literalmente largados ao Deus dará, continuando a exercer funções que geralmente incluíam os trabalhos pesados, domésticos e o que hoje muito bem conhecemos como biscate.Tá na cara que o Brasil jamais foi exemplo de democracia racial. Muito embora numa certa época o discurso oficial do governo central seguisse na trilha do suposto “exemplo de integração racial”. Era só pra Inglês ver. Os antigos senhores da senzala, depois que os ventos da liberdade começaram a soprar para os negros, voltaram a preferência e simpatia para a mão-de-obra dos imigrantes italianos e alemães que ao chegar, além das boas-vindas, recebiam com as benesses do poder central, um pedacinho de terra pra construir uma tapera e iniciar uma atividade agrícola.Enquanto isso, ao abandonarem os campos de cana-de-açúcar e de algodão, os negros que decidiram desfrutar da “novel liberdade” se dirigindo aos centros urbanos, foram parar direto nas cozinhas, no cais do porto e calçadas da cidade pra viver de viração defendendo o pão-nosso-de-cada-dia.Ao cair da noite seguiam em direção aos locais que lhes era oferecido pela Mãe Natureza no topo dos morros ou lugares onde “não mora ninguém”.Acabaram por inventar os barracos dando forma ao que hoje se constitui em uma das marcas registradas deste país: as favelas.As crianças não estudavam e permaneciam sem qualquer formação técnica. Para elas era reservada a tarefa de ajudar aos pais na labuta diária.Na verdade não é difícil chegar a uma lamentável constatação pela comparação dos acontecimentos que marcaram o passado longínquo, com acontecimentos iguais nestes novos tempos: a grande maioria dos negros continua acorrentada á pobreza, a falta de acesso a educação, de oportunidades justas e igualdade social. Pra isso meus amigos, não tem Lei Áurea que dê jeito.Ao longo dos anos, a celebração é voltada para assinante da lei e não para as conquistas sociais que dela deveriam ter derivado.Pensando bem, vai ver que é por isso que é melhor deixar o 13 de maio ficar como sempre foi: o dia da Princesa. O importante é permanecer irredutível nas trincheiras da luta pelos direitos civis, pois o que a maioria dos negros brasileiros mais precisa hoje em dia é das ferramentas indispensáveis ao crescimento pessoal, de liberdade, ainda que tardia, para o exercício da cidadania.

OITO ANOS SEM SINATRA
(14/05/1998 – 14/05/2006)


Quando Frankie morreu ao cair da noite fatídica do dia 14 de Maio de 1998, a exatamente oito anos, a noticia foi publicada nas primeiras páginas da grande maioria dos jornais do planeta. Muitos lançaram edição extra com suplementos especiais.
Houve pouco alarde, pouca surpresa por parte das hordas de fãs espalhadas pelo mundo. The Chairman-of-the-board vinha com a saúde deteriorando paulatinamente a algum tempo e o compasso de espera era pelo pior. Ele já tinha vivido demais, por esta razão as colunas de obituário possuíam farto material para publicar sobre a sua existência, os seus tempos memoráveis.
A ocasião tornou obrigatório divulgar sua vitórias e derrotas, a saga familiar, seus quatro casamentos, suas batalhas físicas e verbais com repórteres e fotógrafos. Era preciso muito tempo e palavras para descrever todos os seus romances com detalhes. Ava Gardner em especial. Havia informação de sobra sobre o seu destempero, brutalidade e crueldades quando tomado pela bebida.
Por alguns foi descrito como canalha, por outros como um monstro cujo comportamento só era redimido pelo seu talento. Também havia os episódios de sua odisséia política que pendeu, ora para esquerda, ora para direita. Era preciso esmiuçar a pecha de mafioso que lhe rendeu o envolvimento com os membros do mob Italiano da época, parte inevitável de sua história de vida.
Por outro lado, eram inquestionáveis os relatos de sua imensa generosidade para com os amigos, estranhos e os bilhões de dólares que angariou para doar a tantas entidades de auxilio aos carentes no mundo inteiro. Sem meias palavras: Ol`Blue Eyes era indubitavelmente um ser complicadíssimo.....
Mas a grande verdade é que o King of the Hill, depois de milhares de cigarros Camel, incontáveis doses do mais puro Jack Daniels, estava velho demais e como acontece a todos nós quando envelhecemos, suas engrenagens estavam desgastadas. Ele abusou de seu corpo como quis, além dos limites, ter chegado aos oitenta e dois anos de idade foi um triunfo sobre as probabilidades, um golpe de sorte.
Foi-me muito difícil ler nos jornais e ver na televisão tudo isso, narrado por pessoas destituídas do sentimento Sinatriano, da magia da época gloriosa que ele ajudou a esculpir com figuras não menos fabulosas como Cole Porter, Irving Berlin, Peggy Lee, Gordon Jenkins, Louis Armstrong, Duke Ellington, Billie Holiday, The Rat Pack e tantos outros. Só conseguia mentalizar a importância de Vagabond Shoes para tanta gente e como continuará sendo, nos anos que ainda estão por vir.
O radio foi o melhor veículo de transporte mental à sua marcante personalidade e genialidade musical. Sabe por quê?
Porque lá estava inteira a música de Frank Sinatra, a força propulsora de sua vida. Se não houvesse a música ninguém teria escrito aqueles longos obituários e não teria havido os especiais na televisão.
Agora que Sinatra saiu de cena, levando consigo a sua raiva, generosidade e estilo pessoal, a música permanece. E no futuro vai estar presente, não importa o que venha a acontecer com a sempre evolutiva cultura popular.
Meu filho Nicholas Artanis, minha neta Sofia Nelson seguramente não irão curtir a musica de Sinatra da mesma forma que a minha e outras gerações curtiram. Mas a arte maior sempre haverá de prevalecer. Muito depois da morte do virtuoso saxofonista Charlie Parker a sua leitura dos blues urbanos continua inebriando, Billie Holiday continua sussurrando a sua angústia, Mozart ainda explode de alegria através de suas sinfonias. No frigir dos ovos, é a emoção que a musica deles nos causa, quando a ouvimos, que figura como importante.
Todos os dias, alguém nas grandes cidades, nos pequenos vilarejos mundo a fora, descobre a arte destes monstros sagrados e se encontra com a qualidade misteriosa que torna o ouvinte mais humano. Emocionando através do dom musical, grandes artistas da musica transcendem a solidão dos indivíduos e se tornam cúmplices da maior de todos as dores, a dor da saudade.
No triunfo final sobre a banalidade da morte, estes gênios do passado continuam a fazer a diferença nas nossas vidas. Como Francis Albert Sinatra.

Wednesday, May 03, 2006




Luiza e nosso filho Nicholas Artanis no momento relax.

Monday, May 01, 2006




Estas imagens dizem tudo para mim.

Tuesday, April 25, 2006






Autênticos Botafoguenses.(No domingo de Abril em que o Fogão sagrou-se Campeão Carioca 2006)



Com o meu mui amado e maravilhoso filho Nicholas Artanis durante nosso almoço de sábado - Abril 2006


Conheci Eládio quando ele trabalhava como garçon no Mandy's Bar do extinto Hotel Amazonas em 1999. Sempre atencioso, conquistou a amizade de muitos que frequentavam o melhor bar-boite da cidade. Lá também conheci o maestro-pianista Gêre com quem cantei na noite de Manaus pela primeira vez.

Nesta foto ele está ao lado de meu filho Nicholas Artanis no Novotel Manaus onde atua com a mesma dedicação e profissionalismo de sempre. 2006



Com meu amigo Pedro Missioneiro com quem compartilho grande amizade e atividades na diretoria da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho (SBAV-AM) desde a fundação em Junho de 2003.

Ai estamos descontraida e merecidamente degustando um excelente Carmenere Gran Tarapacá numa bela manhã de sábado no Novotel-Manaus.

Sunday, April 23, 2006

UMA CONVERSA CHEIA DE MISTÉRIO!


Trechos da conversa mantida entre o ex-Prefeito do Municipio Amazonense de Nova Olinda do Norte José Gomes de Albuquerque (1977-1982) com um americano técnico da Petrobras. (publicado pelo Jornal "A Critica" em 07 de Abril de 1980)


Ex-Prefeito: " O gringo era meu amigo. Todos os dias ia passear no meu sítio, aqui perto da cidade. Quando veio a notícia de que a Petrobras ia fechar os poços de petróleo e se retirar da região, o americano foi se despedir de mim lá no sítio. Perguntei a ele se o petróleo encontrado ali não seria explorado".

Americano: Oh! petróleo aqui ser bom, Amazonas onde furar jorra petróleo.

Ex-Prefeito: E aqui em Nova Olinda?

Americano: Aqui bacia de petróleo. Poço de petróleo bastante comercial.

Ex-Prefeito: E então, por que não retiraram este petróleo?

Americano: Oh! Petróleo no Amazonas, no pra mim, no pra você, talvez pra essa criança. (disse apontando para meu filho que na época tinha seis anos e estava do meu lado).

Ex-Prefeito: Por isso mesmo é que a gente fica sem fé, quando sabe que até um técnico americano confirmou sobre a riqueza do nosso petróleo. Fiquei impressionado e perguntei dele o por quê daquilo tudo.

Americano - '"ISSO RESERVA DO MUNDO", missão do governo americano e brasileiro só pesquisar.'



FATO CURIOSO: O PONTO DE PARTIDA PARA O SEGUNDO ROUND SAIU DO BICO DE UMA CANETA BIC.


Conheci e mantive agradável conversa durante minha visita à Nova Olinda do Norte com o Sr. Gumercindo Silva.
Homem muito respeitado e exaltado pela população do municipio é considerado por todos como o responsável direto pela mudança dos rumos na questão da reserva de sal de potássio ( silvinita ) estimada em mais de 1,06 bilhões de toneladas e avaliada em 178 bilhões de dólares e que se extende pelas terras de Nova Olinda e de seis outros municipios.
Tudo isso baseado no fato incontestável de que foi o Sr. Gumercindo, que é mineiro de nascimento e está no Amazonas desde 1959 quando aqui chegou como funcionário do Banco do Brasil, quem escreveu com muita determinação desde 1986, cartas que foram dirijidas a todos os presidente e muitos politicos enquanto estiveram de posse do poder em Brasilia, sobre o potencial da reserva de silvinita, sempre solicitando providências para o inicio de um processo que levasse à exploração.
Seo Gumercindo me disse que o Presidente FHC respondeu a uma de suas cartas, mas ficou por isso mesmo.
O milagre, segundo ele, aconteceu depois que enviou no dia 6 de Agosto de 2004, uma carta para o Presidente Lula que foi respondida no dia 2 de Setembro do mesmo ano. Desde então o processo de viabilidade do projeto silvinita foi detonado e culminou no último fim-de- semana com as seguintes informações concedidas pela representante da Petrobras Sra. Glaucia Delgado durante o II Fórum Sobre Exploração de Silvinita em Nova Olinda do Norte:

08 de Maio 2006 - expira o prazo para entrega das propostas pelas empresas que responderem a licitação publica nacional/internacional para exploração de silvinita no Amazonas.

Julho 2006 - Apresentação pela Petrobras do Data Room com todos os requesitos e informações sobre a área a ser explorada, capital inicial a ser investido etc.


Março/Abril de 2007 - Abertura das propostas e anúncio da empresa vencedora da licitação.

DNPM assume a liderança do projeto em conjunto com a empresa vencedora.

Inicio provável da prospecção - Fevereiro de 2008.

Base da operação: ninguém sabe, só depois do anúncio da empresa vencedora, segundo me disse Claudio Scliar representante oficial do Ministério das Minas e Energia no evento.

Corre a boca-pequena que sobre onde deverá ficar a base das operações já existe disputa velada entre as prefeituras dos municipios que serão beneficiados pela exploração do mineral. Ouvi dizer que o municipio de Itacoatiara alegando possuir 1/3 da reserva em suas terras está se preparando para uma boa briga. Quem viver, verá.
O DEPUTADO LUPÉRCIO RAMOS É UM GÊNIO OU ELES JÁ VIRAM ESTE FILME E PRECISAM ESQUECER O FINAL INFELIZ!!!



Convidado por Daniel Nava Gerente Regional do DNPM em Manaus, estive no dia de ontem pela primeira vez no Município de Nova Olinda do Norte para registrar na condição de repórter do Amazon Sat acompanhado pelo repórter cinegrafista José Gato, a realização do II Fórum Sobre a Exploração da Silvinita que deveria ter tido como pano de fundo a realização do seminário "Projeto Silvinita do Amazonas - Ações do Programa Brasil Um País de Todos".
Do relato histórico do municipio amazonense de Nova Olinda do Norte localizado a 126 quilometros em linha reta da Capital do Estado que foi criado pela Lei Estadual de número 06 no dia 19 de Dezembro de 1955 e que teve a palavra " do Norte" aditada pela vontade do então Governador Plinio Ramos Coelho, o episódio por mim constatado como mais presente na memória da maioria da população, tem a ver com o mistério que perdura até os nossos dias sobre o real motivo que levou a saida apressada da Petrobras do municipio no qual em certa época chegou a manter 400 operários em atividades. A pressa foi tamanha que a estatal deixou para tras em estado de abandono, prédios e propriedades construidos e adquiridos após o primeiro jorro nos poços de petróleo a 2.173 metros de profundidade respectivamente em Março e Agosto de 1955 que foram devidamente "invadidos" pelos padres franciscanos durante dez anos e depois comprados pelo poder público em suave prestações por um valor simbólico.
A descoberta de petróleo levou o pequeno povoado a desfrutar de um período de grande euforia abastecido pela perspectiva do dinheiro e do desenvolvimento. Da noite para o dia Nova Olinda passou a ser conhecida como a "Cidade do Petróleo" e pra acentuar mais ainda a certeza de um futuro promissor, naquela mesma década materializaram-se no municipio as visitas ilustres de dois presidentes da República; o primeiro foi João Café Filho que foi seguido por Juscelino Kubitschek. Não era para menos, todos passaram a sonhar em plena luz do dia e de olhos abertos.
Infelizmente este ciclo de sonho e euforia teve a duração de água na fervura. Então, começou o mistério.
Os relatores do assunto escrevem que a eclosão da "Redentora" que acabou por derrubar o Presidente João Goulart deflagrou uma série de represálias ao apoio e solidariedade prestados ao governo em desgraça, pelos funcionários sindicalizados da Petrobras que resultou na posse do novo chefe da Base de Nova Olinda do Norte que ao assumir colocou no olho da rua 60 operários e puniu com transferência imediata outros tantos. Mas a pá de cal foi colocada pelo parecer do geólogo americano (esses gringos!!!) Walter Link no famoso "relátório Link" que determinava o fechamento ou obturação dos poços que jorravam petróleo pois segundo as "forças ocultas" o hidrocarboneto da região não tinha valor comercial. O embroglio envolveu ainda o engenheiro Levindo Carneiro, homem de frente da empresa em Nova Olinda que foi acusado de traição nacional. Na calada da noite a Petrobrás juntou os trapos e mudou-se de cuia e remo para Belém e São Luiz, condenando os moradores do local à economia do contra-cheque e desfrute sem outra opção do interminável vai-e-vem dos batelões amazônicos navegando pelo portentoso Rio Madeira, que oferece a cidade sem custo, o seu único cenário de beleza.
Voltando ao seminário que não aconteceu. Depois de uma carreata pelas ruas transitáveis da cidade o Governador Eduardo Braga e sua comitiva chegaram a quadra de esportes lotada pelos moradores, cabos eleitorais, "anistiados" (nome pelo qual são conhecidos os operários da Petrobras, atropelados pelo relatório Link) vereadores, membros da imprensa manauense e crianças, muitas crianças. Não faltou nem o pé-inchado da cidade que interrompeu por alguns segundos o discurso do governador.
O cerimonialista anunciou a execução do hino nacional, hino do Amazonas, hino do municipio e a suadeira resultante da quadra-sauna coberta de zinco, começou a abalar os ânimos da audiência e dos componentes do elenco de autoridades constituido pelo Prefeito Adenilson Reis, pelos Deputados Federais Silas Camara, Lupércio Ramos, Deputados Estaduais Vera Edwards, Sinésio Campos, representantes do Ministério de Minas e Energia, Petrobras e Prefeitos dos municipios de Silves, Urucará, Borba, Autazes, Itapiranga e São Sebastião de Uatumã que como Nova Olinda do Norte, se tudo sair como estão planejando, serão beneficiados pela exploração da silvinita no futuro.
Contrariando as regras do cerimonial o primeiro a falar foi o Governador Eduardo Braga que num discurso inflamado transformou o fórum num palanque politico e consequentemente acabou por prometer com ressalva (se Deus quizer!) a extensão até Nova Olinda do Linhão de Tucuruí, garantiu para os próximos meses o asfaltamento das ruas-queijo-suiço da Cidade e a construção de um novo Porto de verdade, não o porto- balsa como era feito no Governo FHC e que no momento está debaixo das águas da alagação. Deste momento em diante, foi o "dejá vu": a população entrou em êxtase e passou a estampar na cara o indefectível semblante de quem sonha em plena luz do dia e a externar com gritos, palmas e gestos a velha e marcante euforia Novaolindense.
O deputado Silas Câmara entrou mudo e saiu calado, deve ter as suas razões. O deputado Sinésio e a deputada Vera exaltaram as vantagens e acenos de progresso inexorável que irá transformar Nova Olinda do Norte na "Cidade da Silvinita", e do nascimento de um novo ciclo (sic!) desta vez extrativo mineral, pelo que foram aplaudidos ruidosamente.
Foi então que chegou a vez da manifestação do Deputado Lupércio que para não ficar para tras nas "promessas de palanque" lascou durante o discurso, que ao ter assumido recentemente a vice-presidência da Comissão de Aviação do Congresso Nacional, havia falado com o Ministro Silas Rondeau sobre a construção do novo aeroporto de Nova Olinda do Norte e que no próximo mês de Maio com a presença confirmada do ministro Rondeau, estará gravando para exibição em Manaus, ali mesmo naquela maravilhoso local ( sauna) o seu programa "A Hora do Povo" que integra com grande audiência a muitos anos, a indústria televisiva da esperança amazonense.
Não precisa muito para imajinar o que aconteceu em seguida, a quadra de esporte quase veio a baixo. O Prefeito Adenilson, percebendo que os munícipes deram o evento por encerrado com a explosão de elegria, sem que ninguém lhe desse ouvido, agradeceu e partiu para receber os visitantes e convidados para o almoço em sua casa de campo.
Agora, me sinto integrado à torcida para que todas as promessas feitas se concretizem em prol do bem estar e qualidade de vida, justificando finalmente o segundo round de sonhos e expectativas da população de Nova Olinda do Norte que mesmo que seja por pontos merece a vitória tão ansiada por um futuro melhor.
Deixei o município pela tarde e no vôo de volta a Manaus pensei com os meus botões: esse Lupércio é um gênio.

Saturday, April 22, 2006

FAÇO MINHAS AS PALAVRAS DELE.


Conheci Bernardo Cabral nos idos de 1979 durante a realização do Congresso Nacional da OAB em Manaus, que na época era presidida por ele. Eu então, estava Diretor de Turismo da Empresa Amazonense de Turismo - a extinta Emamtur - e passei a convite dele, a atuar durante este evento como coordenador de alguns eventos.
Nossa amizade nasceu ai. Lembro-me que mantivemos algumas conversas amigáveis, mas foi no Ideal Club durante o jantar de congraçamento que ele me falou algo que jamais esqueci, quando o assunto versava sobre o amor entre homens e mulheres:
- Humberto meu caro, o amor tem três inimigos mortais: a ausência, o silêncio e a distância, me disse êle.
Nesta última terça feira, durante um outro evento promovido pelo TJA presidido pelo também amigo, botafoguense como eu, Desembargador Arnaldo Carpinteiro Peres, desta vez durante a inauguração do Forum Lucio Resende na Cidade Nova, quando, ao se dirijir a plateia que ouvia suas palavras com grande interesse, ele disse : "quero saudar um santo que vive entre nós, Dom Luiz Soares Vieira Arcebispo Metropolitano de Manaus".
Concordo com êle que voltou a me dar outra lição de vida. Agora sei como me dirigir mental ou verbalmente à S. Reverendíssima Dom Luiz. É só fazer minhas as palavras dêle.
Foto: Na Espanha, berço dos Conquistadores da América Espanhola, entre dois indígenas da orgulhosa e excepcional etnia Maia. (Março 2006)
Fato para reflexão: só restam no planeta Terra 140 índios Maias.




Editorial: Lido durante o Jornal da Amazônia no dia 21 de Abril.

Que dia de índio continua sendo esse? Que fizeram e continuam fazendo de vocês meus irmãos silvícolas???


Quando os descobridores chegaram às Américas em 1492, descobriram ao mesmo tempo, que o Novo Mundo era habitado por milhões de seres exóticos, de corpos esbeltos e pintados, senhores de uma riquíssima cultura e avançados e surpreendentes conhecimentos matemáticos nas áreas da engenharia e arquitetura e também científicos na utilização das plantas medicinais e extrativas como a borracha e o tabaco///
Aqui no Brasil, encontraram seis milhões de nativos que falavam 1.300 línguas e que viviam em relativa paz e harmonia, quebradas somente pelas eventuais disputas tribais//////
As conseqüências deste contato medidas nos dias de hoje, apresentam um quadro drástico: do número inicial só restaram 300 mil índios que estão espalhados nas poucas aldeias restantes e pelos quatro cantos urbanos do país, a maioria em situação deplorável pela falta de assistência, sem dignidade e futuro, que a julgar pelo presente continuará sendo perverso para muitos /// Das línguas faladas só restaram 170///. Não é pra dar raiva?////As constantes invasões de suas terras e domínios por posseiros e garimpeiros faz com que continuem a conviver num clima de constantes ameaças de perseguições, traições e massacres/// Na Amazônia os ianomâmi, grupo formado por oito mil índios, ainda isolados de certa forma, que habita no Estado de Roraima na região de fronteira com a Venezuela, chamam os garimpeiros de “comedores de terra”////. Atualmente estes indígenas se constituem no grupo mais ameaçado pelas conseqüências provenientes do contato com a “civilização” que resulta inevitavelmente em doenças, violência e alcoolismo/// O cálculo fornecido pela Funai indica que cerca de 300 mil garimpeiros estão em atividades em terras indígenas na Amazônia//// Durma-se com uma vizinhança dessa!!!!///
O que então os índios têm para celebrar no dia de hoje? Pouco, muito pouco além do fato de que o número de nascimentos tem aumentado nos últimos anos e que a Policia Federal tem agido no sentido de expulsar invasores de terras indígenas, de vez em quando///
Por estas e muitas outras razões, é necessário a reflexão, pelo menos no dia de hoje, voltada para a causa dos índios brasileiros no sentido de que os esforços para preservar a Amazônia também sejam dirigidos à preservação e consolidação dos ideais dos povos indígenas//// A propósito só como lembrete: é aqui na Amazônia, principalmente no Estado do Amazonas, que ainda restam as poucas etnias que conseguiram escapar de tudo.
Existe um questionamento indígena que não quer calar: “Somente quando for cortada a ultima árvore, pescado o ultimo peixe, poluído o ultimo rio é que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro?

Just for the records – 21 de Abril de 2006 - Três indígenas das etnias tapuia, baniwa e manchineri, entre eles o Ator-índio Fidélis Baniwa, foram expulsos da padaria D`Minhos em Manaus, pelo dono do estabelecimento DANIEL MUNHOZ – MUÑOZ??? ( será ele um remanescente “de los conquistadores” ainda enrustido?) a base de palavrões e outras indelicadezas dirigidas a condição indígena. Ouviram coisas do tipo “índios filho da puta que devem voltar pra tribo de onde vieram”, e os ameaçou com uma barra de ferro e depois uma machadinha, só pra confeitar a celebração do dia deles. (Fonte – Jornal Diário do Amazonas)

Nessa padaria eu não compro o meu pão e vocês?

Wednesday, April 12, 2006

EDITORIAL do dia 12.04.2006: Inauguração do vôo de bandeira internacional entre a Cidade do Panamá e Manaus.


No final do mês passado destacamos aqui efusivamente o inicio das operações de vôos regulares de uma companhia aérea cearense para Manaus///Voltamos hoje a carga para noticiar a confirmação do vôo inaugural no mês de Julho, de uma outra empresa aérea, desta vez com bandeira internacional, que ligará a capital do Estado do Amazonas à Cidade do Panamá, no Panamá que como conseqüência inicial motivou a ida imediata para o país-irmão no próximo dia 24 deste mês, de uma comitiva numerosa formada por empresários do setor hoteleiro, transporte, setor turístico, representantes do turismo oficial e da imprensa local que apresentará num workshop o produto e a estrutura turística da nossa cidade e arredores/// O evento se reveste da mais alta importância para o povo, economia e desenvolvimento turístico do nosso Estado e da Região Amazônica como um todo, tornando imprescindível destacar alguns pontos relevantes sobre o dinâmico país da América Central:
O Panamá é uma nação de 2,5 milhões de habitantes onde prevalece o setor de serviços e que tem na Zona Franca de Colón - a segunda Zona Franca mais importante do mundo depois da Zona Franca de Hong Kong - no Canal do Panamá - considerado uma das oito maravilhas do mundo - e no turismo de negócios, as atividades econômicas mais importantes apoiadas pela circulação livre do dólar americano como moeda corrente//// A localização estratégica na Região do Caribe para onde convergem centenas de milhares de turistas provenientes dos Estados Unidos e Europa; vôos cargueiros originários de várias partes do planeta que mantêm fluxo diário excepcional de chegadas e decolagens ampliam este cenário altamente positivo/////.
Considerando o fascínio que exerce a maior reserva de Floresta Tropical recipiente da mais rica fauna, flora e biodiversidade do planeta, no imaginário de milhões de viajantes que ainda enfrentam como maior obstáculo para tornar o sonho de viagem para a Amazônia, justamente o difícil acesso aéreo à região; as 470 empresas do Pólo Industrial de Manaus, que apresentaram ano passado e continuam apresentando excelente índice de crescimento industrial e de emprego e que de agora em diante passam a ter disponibilizados os vôos diários para Cidade do Panamá, é lógico concluir como resultados imediatos deste acontecimento, primeiro o rápido aumento de chegadas de turistas estrangeiros e em segundo lugar a ampliação e estreitamento das relações comerciais entre o Estado do Amazonas e o Panamá/////.
Graças ao desempenho conjunto e profissional do Amazonas Convention órgão representativo da maioria dos empresários do setor do turismo amazonense, da Amazonastur e Manaustur respectivamente, em uníssono celebramos mais uma conquista, porém, é prudente que permaneçamos conscientes de que o compromisso da empresa aérea panamenha de ligar definitivamente Manaus ao mundo exterior, só será revestido de sucesso duradouro se os esforços a serem envidados a partir do inicio dos vôos, forem encarados com a máxima seriedade por todos os componentes do Trade Turístico do Amazonas///

Tuesday, April 11, 2006



Meu filho Artanis exercitando a sua porção Sinatriana...



Batman Nicholas Artanis..... Carnaval de 2006


Primeiro brinde de "champagne" do homem mais feliz do mundo com o filho Artanis, na véspera da virada do milênio,Dezembro 2000.