Friday, April 24, 2009



QUENTÃO E “CABERNET SAUVIGNON” AMERICANO, NA DEGUSTAÇÃO VERTICAL .


Na condição de Presidente da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho do Amazonas (Sbav-Am) participei como convidado, na excelente Chima Brazilian Steakhouse, restaurante brasileiro de carnes de alta padrão (como poucos no exterior) na cidade de Atlanta no Estado da Geórgia, onde nasceram o Rev. Martin Luther King, Presidente Carter, Ray Charles e a música “Geórgia on my Mind” é o hino estadual, de uma degustação imperdível, que serviu para me “update” com os últimos termos e novidades no mundo do vinho.

A temperatura estava 7 graus abaixo de zero lá fora, na churrascaria o ambiente era mantido com agradáveis 18 graus acima, que ficavam com sensação termiônica de 20 devido a simpatia e o calor humano dos habilidosos e simpáticos “bilingual waiters e hostesses”.

A primeira novidade foi o popular quentão logo de saída. Os franceses o chamam de Vin Chaud os ingleses e americanos de mulled. É um vinho, normalmente tinto, temperado com especiarias e servido quente. Em épocas passadas, quando alguma coisa dava errada com o vinho, misturavam mel, cravo, canela - enfim, as especiarias à mão. E o tornavam bebível. Hoje, o quentão impera nos invernos no sul de lá e de cá. Meus amigos gaúchos me disseram que por aqui o quentão é aguardente mais gengibre, açúcar e as tais especiarias. De uma coisa podem estar certos, vinho quente (e especiarias) também é quentão.


Seguidamente, foi anunciado que a degustação não seria horizontal e sim vertical, conforme sugestão da vinícola do Vale do Napa, que nos brindava com um excelente cabernet sauvignon, 92 pontos na lista do imperador Robert Parker. Fiquei quieto, Com os meus botões matutava em silencio, sobre essa nova história de degustação vertical e horizontal que freqüentemente, de uns tempos para cá, tem aparecido nas resenhas sobre vinhos.

Quando a gente não sabe parece complicado. Depois que a dita cuja começou, foi como aprender fazendo.São palavras utilizadas principalmente com relação à degustação. Na degustação vertical, prova-se várias safras de um mesmo vinho, ao mesmo tempo. Assim, podemos analisar como o vinho evoluiu (ou não) com o tempo, quais foram as safras ótimas, medianas ou ruins ou se técnicas vitivinícolas foram alteradas ou introduzidas.


A degustação vertical pode ser feita nos dois sentidos: da safra mais antiga a mais atual. Ou no sentido inverso. Pessoalmente, prefiro provar da mais antiga para a mais nova. Os vinhos mais antigos, mais maduros costumam ser menos encorpados, mais leves, com taninos mais suaves dos que os mais jovens. Se eu começasse dos mais jovens, meu paladar ficaria bem marcado pela maior quantidade de taninos, acidez etc.

Na degustação horizontal provamos diferentes vinhos de uma mesma safra. Esses vinhos deverão ser de uma mesma região produtora ou de uma mesma variedade de uva (ou de uvas). Ou ambos.Ficamos sabendo mais sobre as diferenças regionais (do solo, do terroir ou das técnicas aplicadas aos vários vinhos experimentados).

A degustação foi escoltada por carnes especiais preparadas a moda típica, saborosíssima e “unique” da “american southern cuisine”.


O mote da Chima é: "Sharing a one-of-a-kind-experience". Eles ratificam na prática.


"Drinking good wine with good food in good company is one of life's most civilized pleasures. (Michael Broadbent -British wine critic)

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